PORTFÓLIO DE ESTUDOS SOCIAIS - 4º SEMESTRE
A partir das leituras, atividades da interdisciplina e das discussões no fórum com relação às possibilidades de tecitura de redes de aprendizagem no planejamento de estudos sociais, lançamos a seguinte pergunta: Você considera como conteúdos, conhecimentos e organização curricular exclusivos para se ensinar e aprender estudos sociais a formulação EU, FAMÍLIA, BAIRRO, MUNICÍPIO, ESTADO...?
A partir deste questionamento elabore um texto reflexivo. O mesmo necessitará conter uma justificativa (que situe Estudos Sociais no currículo escolar, diga de sua importância – ou não), argumentação teórico – prática (que dialogue com autores estudados e com as práticas de sala-de-aula) considerações finais (que evidencie as aprendizagens do semestre) que contemplem aspectos considerados importantes para vocês acerca dos textos e site, das atividades propostas e realizadas durante o semestre e do processo do fazer-se professor de Estudos Sociais.
O ensino dos conteúdos de Estudos Sociais durante muito tempo, nas séries iniciais do ensino fundamental, teve como característica a transmissão de um conjunto de fatos que o alunos deveriam memorizar de uma forma mecânica.
Atualmente o ensino dessa área vem sofrendo muitas modificações no que se refere às concepções teóricas e uma reformulação na quais conteúdos e forma de ensinar se encaixam para que professor e aluno compartilhem cada vez mais experiências.
Num mundo cada vez mais globalizado, torna-se necessário o estudo dos espaços para que o aluno estabeleça relações com a realidade existente e a realidade desejada de forma positiva. É necessário que o aluno compreenda que suas ações individuais ou coletivas têm conseqüências diretas, tanto para ele como para a sociedade em que vive.É preciso criar no aluno condições para exercer seu papel como cidadão e conscientizá-lo da importância de ser participativo.
Segundo Antônio Castrogiovanni e Beatriz T. D. Fischer ,talvez esteja nas Séries Iniciais - pela idade das crianças - um dos momentos em que o ensino das disciplinas que compõem os Estudos Sociais mais assume significado: a criança antes de chegar à escola, durante os primeiros anos de vida, aprende a se comunicar, internaliza uma série de informações, construindo conceitos e buscando resposta para sua curiosidade de tal forma que vai construindo seu conhecimento diante do mundo que a cerca. Tudo isso como decorrência natural das necessidades e interesses relacionados aos grupos dos quais faz parte. É esta criança que, ao chegar à escola, está em plena fase de busca (se é que nenhum adulto já não a tenha barrado em suas inquietações).
A História e a Geografia, embutidas nos Estudos Sociais, vêm ao encontro deste aluno que anseia por compreender sua realidade.
A historia concebida como um saber que não se limita a descrever fenômenos aparentes. Mas uma história crítica, que reconstitui a ação dos homens ao logo do tempo, em suas diversas formas de organização social. Um ensino de história que busque explicar a realidade como uma totalidade complexa, articulada em suas varias instancias, porem possível de ser compreendida sempre que houver ênfase na análise de relações entre os fatos e o contexto mais amplo.
Já a função da Geografia é propiciar a compreensão do espaço produzido pela sociedade, suas desigualdades e contradições, as relações de produção que nela se desenvolvem, bem como a apropriação que essa sociedade faz da natureza. Cabe à Geografia explicar como as sociedades produzem o espaço, conforme seus interesses em determinados momentos históricos (e aqui mais uma vez os dois campos se inter-relacionam), e como este processo implica uma transformação contínua.
O estudo do espaço supõe a análise da sociedade e da natureza, não isoladas, mas como partes integrantes de uma totalidade, a qual se organiza e relaciona, configurando-se em diferentes paisagens, de acordo com os diferentes tipos de sociedade imbricadas em um determinado território.
Para tanto, cabe à escola, nas Séries Iniciais, a ampliação e o aprofundamento das noções de localização espaço-temporal da criança: vizinhança, distância, lateralidade, limite, causalidade e suas inter-relações.O trabalho com o conceito de espaço na escola precisa oferecer à criança oportunidades para que ela possa operar com as relações espaciais, sabendo localizar-se, por exemplo, e possa analisar os espaços sociais, compreendendo esses espaços como construções do homem, em determinado tempo de uma sociedade.
Operar com relações espaciais significa, para a criança, localizar-se e expressar-se graficamente, por exemplo, saber traçar a planta e assim por diante.A construção dessas relações é gradativa, e o professor deve estar atento a isso.
Já o trabalho com as dimensões do tempo(o tempo físico e o tempo histórico ou social) prepara o aluno para entender o tempo como dimensão contínua,que passa sem cessar;além disso,a criança passa a ver que o tempo abrange momentos(tempo físico) sobre o qual os homens inscrevem suas diferentes trajetórias,fruto de suas relações sociais(tempo histórico).
A primeira dimensão - tempo físico - vai permitir à criança localizar-se no tempo, situar fatos de sua vida cotidiana e outros dados, construir e interpretar linhas de tempo, trabalhar com as medidas de quantificação do tempo - dias, meses, anos, séculos.Em outras palavras, vai permitir que a criança perceba o passar do tempo e saiba fazer sua quantificação e representação.
A segunda dimensão – o tempo histórico ou social – vai iniciar a criança na análise dos contextos de época, de modo que ela perceba o seu tempo como diferente de outros tempos ou épocas.Vai também permitir que ela compreenda como o tempo é fruto da construção social, de determinantes históricos que a cada momento as sociedades humanas imprimem à época em que vivem.Começando por trabalhar a história de vida de cada criança, depois a história do bairro, ou do estado, a criança perceberá que, num mesmo período cronológico, podem existir diferentes situações de vida, de diferentes sociedades, enfim, diferentes tempos históricos.
“A noção do passado é formada passo a passo, através das vivências das crianças. A construção do passado se dá no momento em que a criança tem a percepção do seu próprio eu e inicia a construção de sua própria identidade” (CASTELLAR, Sônia)
Ter claro onde se quer chegar, que recorte deve ser feito na história para escolher temáticas e que atividades deverão ser implementadas, considerando os interesses do grupo como um todo.É preciso considerar os conhecimentos prévios dos alunos a fim de propor situações onde possam mostrar os seus conhecimentos, suas hipóteses durantes as atividades implementadas, para que assim forneçam pistas para a continuidade do trabalho e para o planejamento das ações futuras.Essa forma de planejar considera a processualidade da aprendizagem, avanços que se dão a partir de desafios e problematizações.Para tanto, é necessário, além de considerar os conhecimentos prévios, compreender o pensamento dos alunos sobre as questões propostas em sala de aula.
Madalena Freire sugere algumas questões para orientar o processo de planejamento:
· O que já sabem meus educandos?
· O que ainda não conhecem?
· O que devo ensinar?
· Quando ensinar?
· Onde ensinar?
· Como ensinar?
Privilegiar a História de vida e a História social dos alunos e das alunas, acompanhar datas significativas para seu grupo social, compreender a História como instrumento de identidade e conscientização do grupo, sobre seu papel na História, enquanto sujeitos e objetos da História.
Se os Estudos Sociais são norteados pelo estudo das relações entre o processo histórico que regula a formação das sociedades humanas e o funcionamento da natureza, por meio da leitura do espaço geográfico e da paisagem, creio que a idéia de trabalhar estes conceitos justamente na ordenação do eu (indivíduo) para o país (coletivo) venha de uma estrutura que respeite as etapas do desenvolvimento que permite aos alunos adquirir noções necessárias para interferir neste contexto histórico-geográfico.
Articular uma proposta que proporcione a participação dos alunos e das alunas nas atividades escolares, na gestão da escola, promover espaços de autocrítica da ação dos alunos e professores, auto-avaliação dos alunos, que eles saibam o processo de desenvolvimento da aprendizagem pelo qual estão passando, tendo presente Rubem Alves: “...só aprendemos aquelas coisas que nos dão prazer”.
Ao longo do semestre, foi oportunizada uma nova visão sobre o trabalho docente no ponto de vista dos Estudos Sociais, uma nova abordagem, que certamente veio romper com muitos paradigmas estabelecidos por nossas escolas, e de certa forma, seguidas a rigor, por nós, professores.
Pode-se dizer que as aprendizagens, os textos lidos, a troca de experiências no fórum, as respostas aos questionamentos, fez com que viesse à tona muitos conceitos errôneos ou equivocados sobre a forma de se trabalhar Estudos Sociais nas séries iniciais.Em contrapartida, as contribuições dos colegas, as socializações de experiências, as sugestões e a possibilidade de rompermos com o velho, nos proporcionou a tomada de um novo olhar, a então área que trabalhava apenas com datas comemorativas, fatos históricos esvaziados de significados.
As atividades foram muito ricas, cheias de significados, uma proposta que fez com que tivéssemos a oportunidade de rever nossa prática e a partir daí reformular nossa maneira de trabalhar história e geografia com os pequenos.
Um novo olhar, que mudará o rumo dos nossos trabalhos em sala de aula, trabalho esse que valorizará nossos alunos como fazedores da história, participante e analisador dos fatos, um olhar crítico e decisivo diante da realidade.
A valorização do eu enquanto indivíduo abre caminhos para que possamos situar e inserir nossos alunos no contexto maior (cidade, estado, pais), colocando-os como ponto de partida para uma melhor compreensão, uma vez que é gradativa a passagem de seu egocentrismo para a percepção sob outros ângulos exteriores a ela mesma.
*Do acaso à intenção em Estudos Sociais (Maria Aparecida Bergamaschi)
*Se não houvesse Estudos Sociais nas Séries Iniciais? (Antônio Castrogiovanni e Beatriz T. D. Fischer)
*O ensino da história nas séries iniciais – um olhar desde a perspectiva curricular integradora(Simone Valdete dos Santos)
Bibliografia
*Estudos Sociais Teoria e Prática (Aracy do Rego Antunes,Heloisa Fesch Menandro,Tomoko Iyda Paganelli)
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